segunda-feira, 22 de abril de 2013

Reajuste Salarial


A secretaria de Estado da Educação enviou à Assembléia Legislativa um projeto de lei complementar que prevê aumento de 8,1% no salário dos profissionais da Rede Estadual de Educação, a partir de 1º de julho de 2013.
Chama a atenção a total falta de compromisso do governo do Estado de São Paulo com a educação, pois o salário atual de um Auxiliar de Necropsia, cargo cuja exigência é de ensino médio completo, é maior do que o salário já reajustado de um professor ou diretor de escola, profissionais com formação superior.

Secretaria da Educação
Mudanças no salário-base*
Para jornada de 40 horas semanais

CARGO
Hoje
(em R$)
Em julho deste ano (em R$
Professor de Educação Básica II (PEBII)

2.088,27

2.257,84

Diretor de Escola

2.454,87

2.654,21

Fonte: Jornal Agora São Paulo de 22/04/2013
*Se o projeto for aprovado pela Assembléia Legislativa

Secretaria da Segurança Publica

CARGO
Hoje
(em R$)
Em julho deste ano (em R$

Auxiliar de Necropsia

2.848,36



Gerson Jorio – Professor e Secretário de Organização para o interior da APEOESP

quarta-feira, 17 de abril de 2013

Campanha política


A Secretaria da Educação do Estado de São Paulo esta utilizando o Caderno do Aluno para espalhar pregações ideológicas às crianças da Rede Estadual de Ensino, como mostra as frases abaixo, da página 20, 2a Série do Ensino Médio, Volume 1, de Língua Portuguesa - Linguagens:

- Criar condições de desenvolvimento econômico é o melhor modo de ajudar a população carente. Entretanto, muitos governantes preferem implementar políticas assistencialistas.

- "A reserva de vagas para estudante de escolas públicas não resolve a questão, como também não assegura que os beneficiados sejam os mais pobres,  uma vez que não há na proposta corte por renda. Não é improvável que estudantes menos qualificados de classes mais abastadas migrem para o ensino público visando beneficiar-se da cota". (Folha de S.Paulo, 30 maio 2004.)

Trata-se de pregação ideológica financiada pelo governo do Estado de São Paulo, dirigida a um público completamente exposto, qual seja, os estudantes das escolas estaduais.
O sonho de todo divulgador é obter inicialmente a atenção de seu público-alvo, para poder passar sua mensagem. O governo do Estado de São Paulo aproveita-se do contato privilegiado em sala de aula, através do livro didático e das aulas dirigidas, usando de modo maquiavélico a ascendência natural da escola sobre os jovens. Os textos com mensagens políticas não são apresentados de modo a provocar a discussão, o confronto de ideias. Pelo contrário, as mensagens políticas são apresentadas “de passagem”, em frases que seriam meros exemplo por ocasião do estudo de gramática. Assim, oficialmente, o tema é a gramática, não a política.
É o caso típico da propaganda política dogmática, que apresenta conceitos prontos, acabados, que nem devem ser postos em questão, pois a questão aparente é gramatical apenas.


Gerson Jorio – Professor e Secretário de Organização para o interior da APEOESP

quarta-feira, 10 de abril de 2013

Será que o governo do Estado de São Paulo pode pagar melhores salários aos professores?


Conforme estudos do DIEESE – Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioconômicos, no 3º quadrimestre de 2012, a Despesa de Pessoal (DP) do estado de São Paulo ficou em R$ 48,9 bilhões, enquanto que a Receita Corrente Líquida (RCL) realizada foi de R$115,3 bilhões, resultando em 42,4% a relação entre a DP e a RCL. Isso significa que existe uma distância entre o limite prudencial (46,55%) e a relação da DP sobre a RCL (42,4%), que nos permite dizer que o governo tem uma “margem” de R$ 4,8 bilhões para elevar a DP.




Gerson Jorio – Professor e Secretário de Organização para o interior da APEOESP


domingo, 7 de abril de 2013

No futuro, quem serão os professores no estado de São Paulo?


Conforme consultorias internacionais, em 30 anos o Brasil se tornará a quarta maior economia do mundo.
Exportará mais, o mercado interno será mais forte e, certamente, bem maior.
A renda per capita deverá atingir patamares nunca vistos antes, algo em torno de 5 vezes o atual. Será também um país mais globalizado.
Mas, a concretização de tudo isso depende fortemente das novas gerações.
Quanto mais bem formadas elas forem, mais próximos estaremos da realização dessas previsões.
A educação atua como uma ferramenta poderosa na mudança da realidade social e econômica das pessoas e seus reflexos podem impactar na qualidade de vida dos trabalhadores e conseqüentemente aumentar a eficiência no trabalho.
Outro dado importante é a preocupação das empresas mais bem organizadas em saber quem serão os seus dirigentes daqui a 10, 15 e até 20 anos.
Elas, com freqüência contratam jovens recém-formados em cursos de graduação, são aqueles funcionários conhecidos como “Trainee”.
O nome trainee, que é um estrangeirismo, vem do inglês “training”, ou treinamento.
“Trainee”, portanto, é o indivíduo incentivado através de treinamento e cursos voltados à gestão de sua carreira.
Dessa forma, são preparados para ocupar cargos de liderança e gerenciamento de equipes.
É dentro deste cenário que se nota o descaso de nossos governantes para com a educação dos jovens que um dia serão os responsáveis em dar sustentação a este crescimento que se anuncia.
Com foco nas empresas que se preocupam em saber quem irá dirigi-las no futuro, perguntamos: - Será que nossos governantes estão preocupados em saber quem serão os futuros professores da rede pública?
Não é segredo para ninguém que a carreira de professor de educação básica, principalmente na Rede Pública do Estado de São Paulo, não consegue atrair mais os jovens. Ninguém mais quer ser professor!
São necessárias políticas públicas capazes de mudar esse cenário.
Precisamos de pesados investimentos na carreira, formação e salário do professor.
Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad 2009), o salário médio de um professor no Brasil é 40% menor que a remuneração, também média, de profissionais não docentes com o mesmo nível de escolaridade.
Enquanto um professor, da Rede Pública Estadual, recebe R$ 2.088,27 por uma jornada de 40 horas semanais, as demais ocupações recebem uma remuneração em torno de R$ 5.000,00, para a mesma jornada semanal.
 Pesquisas do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE) demonstram que a arrecadação no Estado de São Paulo está em alta há alguns anos, e que o governo tem uma ampla margem para realizar aumentos salariais para toda categoria dos professores.
Em decorrência da desvalorização da carreira de professor, os cursos de Licenciatura estão largados às moscas.
Os poucos alunos que conseguem atrair, são geralmente egressos dos cursos de EJA (Educação de Jovens e Adultos), que possuem duração menor do que a do ensino regular, e cujos formandos apresentam uma formação menos consistente.
Assim mesmo, esses alunos somente optam pela licenciatura por causa do baixo valor do curso, um dos mais baratos entre os oferecidos.
A Universidade de Taubaté (Unitau), cancelou seu curso de licenciatura em Geografia para 2012, pois conforme informou seu reitor, José Rui Camargo, ao jornal O Vale, de 20 de dezembro de 2012, para que uma turma seja aberta é necessário o número mínimo de 30 matriculados e nesse caso o próprio número de vestibulandos foi inferior a 30.
O curso da Unitau é reconhecido pelo MEC há nove anos, e estava entre os 10 melhores cursos de Geografia do país.
Num futuro não tão distante, quem serão os professores dos filhos dos trabalhadores e trabalhadoras de nosso país?
Quem serão os professores de nossas crianças daqui a 15 ou 20 anos?
Hoje, já existe falta desses profissionais.
Enquanto nossos governantes vivem fazendo de nossas escolas públicas, verdadeiras cobaias de suas experiências educacionais, implantando sistemas já falidos em seus países de origem, o tempo está passando, e os nossos alunos esperando a solução que não chega.


Gerson Jorio, professor de Física e Química da Rede Estadual de Ensino e Secretario de Organização para o Interior da APEOESP
    

ESCOLA PÚBLICA: EXCLUINDO NA INCLUSÃO


Se olharmos para trás veremos que apenas há algumas décadas nossas escolas públicas eram extremamente excludentes e só atendiam aos interesses das elites.
 As vagas eram limitadas, para ingressar no ginásio, correspondente ao atual ensino fundamental, o candidato tinha de se submeter a uma concorrida prova de seleção chamada “admissão ao ginásio”. É evidente que  aqueles que tinham condições de pagar um cursinho preparatório concorriam com maiores chances de aprovação. È certo também que os privilegiados que conseguiam ingressar, embora arcassem com algumas despesas como uniforme completo e livros didáticos, obtinham um ensino de qualidade.
Muitos alunos formados naquelas escolas prestavam o vestibular e, sem passar por um cursinho preparatório, ingressavam em Universidades Estaduais e Federais.
Outros obtinham sucesso em concursos públicos, como os das Academias Militares, que eram difíceis e disputados.
A qualidade do ensino era tão boa que nem mesmo as exigentes entidades militares da época ousavam questioná-la, o primeiro colocado entre os concluintes do curso Científico, correspondente ao atual Colegial do Ensino Médio, era dispensado do exame de ingresso nessas academias.
Era uma escola excludente, é verdade, porém de qualidade, tinha boa estrutura administrativa e funcional.
Seus professores ganhavam um salário compatível com a sua formação e função, equiparável ao de promotores públicos e outros funcionários do estado com o mesmo nível de escolaridade.
Naquela escola, cujos métodos eram e são questionados, os alunos aprendiam.
Quase ninguém pensava em se matricular nas escolas particulares, a não ser aqueles que, além de ter boa condição financeira, não conseguiam ingressar ou eram expulsos dos estabelecimentos públicos existentes.
Hoje nós temos três categorias de ensino: das escolas particulares de alto padrão (tipo Colégio Bandeirantes, São Luís, etc.) onde só estudam os filhos dos ricos e da classe média alta, detentores de grande poder aquisitivo; das particulares que atendem uma clientela classe média que, muitas vezes, sofre para arcar com as mensalidades, mas que desfrutam de um ensino de qualidade razoável (tipo Objetivo, Anglo, etc.) e, por fim, as escolas públicas, gratuitas, onde a qualidade do ensino é duvidosa e está matriculada a grande massa de alunos.
Pois bem, é justamente sobre essa última categoria que queremos debater.
É essa escola de massas, tida como includente, que atende os filhos da grande maioria da classe trabalhadora.
São pais que trabalham e pagam impostos, que matriculam seus filhos em escolas públicas sonhando que o aprendizado recebido os capacitará para enfrentar o futuro com confiança e competência.
A expectativa é a de que eles possam competir, em iguais condições, de forma justa e honesta, com pessoas que possuam nível de formação igual ao deles:
·   Sejam capazes de prestar um exame vestibular para continuar os seus ensinos numa escola superior, pública e gratuita; 
·   Estejam aptos para prestar um concurso que lhes possibilite obter um emprego digno e seguro; 
·   Estejam preparados para ajudar o futuro patrão a competir no mercado; 
·   Ou aptos até mesmo para montar um negócio próprio. 
Porém, os índices de desempenho obtidos pelos alunos das escolas públicas nas avaliações mais recentes apontam para um despreparo total, não são capazes de interpretar textos simples e apresentam dificuldades para realizar operações matemáticas básicas.
Portanto, quando lançamos nosso olhar para além do que nos circunda, ampliamos e aprofundamos nossas leituras, percebemos que a mesma escola que inclui encontrou uma forma perversa de excluir. 
É um paradoxo: 
·   Se antes ela excluía na entrada negando matricula a muitos, incluía na saída já que seus formandos tinham chance na disputa lá fora. 
·   Hoje ela inclui na entrada dando oportunidade de matricula a todos e exclui na saída quando joga seus formandos para uma disputa para a qual não estão preparados. 
Nossos governantes precisam se conscientizar que não existe receita para promover o desenvolvimento de um país sem escola pública de qualidade, portanto, vamos fazer bem feito o que precisa ser feito.

Texto de Gerson Jorio – Professor e Secretário de Organização para o Interior da APEOESP

Escola de Tempo Integral, melhoria na qualidade do ensino para poucos


    Ao invés de procurar melhorar as escolas existentes, a Secretaria da Educação do Estado de São Paulo (SEE) criou a Escola de Tempo Integral.
    Atualmente, temos 5,6 mil escolas e 5 milhões de crianças na Rede Estadual de Ensino, se este modelo fosse algo realmente sério, não poderia se restringir a algumas poucas unidades escolares. 
    Com a sua implantação, a SEE exclui a grande maioria dos alunos, escolas e professores.
    Os docentes dessas escolas, que trabalham num Regime de Dedicação Plena e Integral (RDPI), embora tenham uma elevação de 75% no seu salário, recebem um aumento fictício, pois este reajuste não incorpora ao seu salário. 
    Funciona como uma gratificação. O correto seria que todos os professores da rede, independente de estarem trabalhando em escola de tempo integral ou não, pudessem escolher entre trabalhar em Regime de Dedicação Plena ou não.
    Nós da APEOESP sempre defendemos a Escola de Tempo Integral, mas não nesses moldes que foi implantado no Estado de São Paulo, onde professores efetivos que ingressaram no serviço público através de concurso, são removidos “ex-offício” , ou seja, transferidos para outra escola, contra a sua vontade. 
    Com essa remoção o estado tumultua a vida dos professores das demais escolas.
     Não podemos, de forma alguma, concordar com um sistema educacional que privilegia alguns poucos alunos em detrimento da grande maioria.

Gerson Jorio – Professor e Secretario de Organização para o Interior da APEOESP 

sexta-feira, 29 de março de 2013

Educação desvalorizada

Remuneração média, número de trabalhadores e massa salarial dos profissionais com ensino superior completo no Estado de São Paulo.

Ocupações
No de Trabalhadores
Remuneração Média
Massa Salarial

Professor de Educação Básica com Superior Completo

452.297

R$ 2.520,25

R$ 1.139.902.768,95
Demais Ocupações com Ensino Superior Completo

2.087.359

R$ 4.975,54

R$ 10.385.739.659,22
Relação Professores/Demais ocupações

21,7%

50,7%

11,0%

Fonte: RAIS/TEM
Elaboração: DIEESE -SubseçãoAPEOESP

Em 2011, conforme dados obtidos pelo DIEESE na Relação Anual de informações Sociais (RAIS), a remuneração média dos professores que atuavam na Educação Básica, com ensino superior completo, equivalia a R$ 2.520,25, ou seja, apenas 50,7% da remuneração média (R$ 4.975,54) das demais ocupações com ensino superior completo, no estado de São Paulo. É bom que se diga, que o salário mensal de um professor de Educação Básica II, na Rede Estadual de Ensino é de R$ 2.088,27.
Como mostra a tabela, enquanto o professor representa 21,7% das ocupações com Ensino Superior, a massa salarial destinada a essa categoria é de somente 11%.
Acho que o quadro acima já é uma resposta do porque da falta de professores na rede pública. 
Será que é assim, desvalorizando os profissionais da educação, que pretendem melhorar a educação em nosso estado?

Gerson Jorio – Professor e Secretario de Organização para o Interior da APEOESP